Ele era uma das pessoas mais importantes na vida de Luisa. Encantou-a logo desde que se conheceram, ela olhava para ele e os seus olhos brilhavam, e apesar de saber que existia uma cota de paixão naquele brilho, os seus olhos brilhavam porque ela o admirava.
Era dos homens mais gentis que alguma vez conhecera, prezava o valor da amizade, era generoso, divertido e sobretudo justo. Luisa enchia-se de orgulho por de certa maneira lhe pertencer e por saber que ele, de certa maneira também lhe pertencia. Ele tinha os seus defeitos, Luisa conhecia-os a quase todos de cor, podia até prever em que alturas eles se revelariam. Diziam-se, muitas vezes, um só e com uma só mente. E ele era justo. E Luisa encantava-se.
Luisa sabia desde sempre que tudo o que parece ser perfeito tem o seu fim um dia, e a história com ele também teve. Foi feio, muito feio. Disseram-se coisas que nunca achariam possivel dizerem um ao outro, abriram-se fissuras enormes nos dois corações. Luisa culpava-se a cada dia que passava. Mas continuava a olhar para ele com um encanto inexplicavel. Ele tinha o dom de continuar a encantá-la como no primeiro dia. Luisa ainda o achava gentil, generoso e justo, sobretudo achava-o justo.
Ela deixou que ele fizesse o que nunca ninguem fez com ela, deixou que ele a fizesse sentir a pior pessoa do mundo. E ela sentia-se, porque sentira que falhara, sentira que o magoara e que ele, nunca o faria. Não com ela. Porque ele era justo.
Agora, depois de Luisa se ter martirizado e culpado por tudo o que acontecera, Luisa perdeu o que achava ser o sentimento mais bonito que tinha por ele, o encanto. A paixão já tinha sumido, a amizade também, apenas tinha ficado o encanto e Luisa perdera-o. Ele não era justo. Nunca o fora.
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