quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

*Coisas Boémias da Vida

Chama-se Matilde, podia ser Inês, Mafalda ou Carolina. É moça morena, com um metro e sessenta e seis de altura, cabelos longos, castanhos. A sua pele é morena, no Inverno e no Verão. Dizem que é Bonita. Não é gorda nem é magra. Dezanove anos.
Gosta de sair. Ai! E como ela gosta de sair. Não sabe estar em casa, na sua casa. Sente-se presa naquelas quatro paredes, sente que os problemas podem saltar de dentro de si e ganhar vida, tornarem-se tão palpaveis que ela não os consiga controlar mais. E não, ela não gosta de perder o controlo sobre as coisas.
Gosta de sair, mais de noite do que de dia. Tem necessidade de respirar o ar do mundo que a rodeia, tem necessidade de absorver cada pessoa que por si passa. Gosta de viver outras vidas que não a sua, talvez as vidas que ela teria vivido se fosse a Inês, a Mafalda ou a Carolina. É boémia. Oh! Só ela sabe como é boémia. Dançar. Cantar. Rir à gargalhada. Um café aqui, uma cerveja acolá. E essa vida dá-lhe gozo. Sente-se livre, verdadeira, em paz consigo e com o mundo.
Gosta de sair, gosta de todas as pessoas que partilham com ela esses momentos. Os amigos. Aqueles que a conhecem, que gostam da sua companhia e sem os quais ela não sabe viver. São suportes básicos de vida, da sua vida. Tem amigos que gostam de dançar, amigos que não gostam, amigos que fumam, amigos que não suportam as pessoas que fumam, amigos que jogam, amigos que não sabem jogar, amigos da sua idade, amigos mais velhos.
Gosta de sair, mais quando está mal do que quando está bem, porque sabe que a vida boémia é o seu escape e o seu ponto fraco. Sabe que se estiver mal, ao sair de casa os problemas não vão com ela, mas também sabe que não resiste a uma boa saida, que se apelarem ao lado boémio do seu coração vai ceder, com uma facilidade tal que ela própria se sente impotente. Mas a Matilde não nasceu pra ficar fechada, a Matilde nasceu para ser livre, para ir, para sentir o vento frio do Inverno a bater-lhe na cara e o calor abrasador do Verão a aquecer-lhe a cara.
E é nesta vida boémia que a Matilde se sente viva, se sente gente, sente que faz parte do mundo que a rodeia. E aí sim, a Matilde não precisa de imaginar como será a vida da Inês, da Mafalda ou da Carolina, porque todos os dias, duarnte algumas horas a Matilde vive verdadeiramente a sua vida.
E é nas coisas boémias da vida que a Matilde se sente, ainda que por umas horas, (e tão efémeras que elas são) verdadeiramente feliz!

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